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sexta-feira, 3 de setembro de 2010
               
   
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Presidente: Wadih Damous
Um líder ciente do papel histórico da Ordem e apaixonado pelas canções de Chico Buarque
O vascaíno Wadih Nemer Damous Filho nasceu no Rio de Janeiro e, desde cedo, aprendeu a admirar as lutas travadas pelos advogados. A vocação para o Direito em muito se deveu ao exemplo dos profissionais que corajosamente defenderam presos políticos durante os difíceis dias da ditadura militar. "Decidi pela advocacia sobretudo para poder prestar assistência aos oprimidos", resume ele. Na Uerj, onde fez o curso, a militância estudantil se somou aos estudos jurídicos. Foi presidente do Centro Acadêmico da Faculdade de Direito e do Diretório Central do Estudantes (DCE), revelando uma natural aptidão pela liderança política. Concluído o bacharelado, tornou-se mestre em Direito Constitucional do Estado pela PUC e transformou suas pesquisas no livro Medidas provisórias no Brasil: Origem, evolução e novo regime constitucional. Desde então, atua na área trabalhista, tendo advogado em sindicatos, como o dos metalúrgicos e o dos ferroviários.

Nos últimos anos, Wadih foi presidente do Sindicato dos Advogados, onde se destacou pela luta em prol da categoria e pelo engajamento nas demandas da população em geral. A aproximação maior com a Ordem se deu a partir de 1990, quando "houve uma ruptura com a trajetória histórica da instituição". "A OAB/RJ passou a focar apenas a questão corporativa, esquecendo-se de sua tradição como representante do cidadão. A Ordem deve ter seu papel corporativo, mas não pode se resumir a isso", argumenta.
Wadih entende que, com a redemocratização do país, a entidade ganhou um novo papel. Se antes o combate precípuo era contra o regime de exceção, agora a OAB precisa estimular e participar dos debates sobre os rumos da nação, além de fiscalizar os poderes do Estado e zelar pela cidadania.

O presidente da Seccional adianta que vai retomar o diálogo com outras instituições que, ao lado da Ordem, formaram a base de sustentação da resistência à ditadura. "Queremos unir esforços com esses setores da sociedade civil, com os trabalhadores, os estudantes, o empresariado e as igrejas, para formular parcerias e discutir idéias para o desenvolvimento econômico, a abertura de postos de trabalho e a ética na política", explica Wadih.

Quanto à relação com o Judiciário, a proposta é de respeito e colaboração, mas com independência. "Não entraremos em barganhas políticas. A OAB tem autonomia constitucional. Vamos buscar uma conversa permanente, temos muito a propor para o aperfeiçoamento da prestação jurisdicional. O Judiciário é um Poder do Estado e não pertence aos juízes, é um poder republicano, e não imperial. Portanto, deve prestar contas à sociedade", salienta.

Wadih lamenta que a Ordem tenha deixado de ser ouvida. E exemplifica com o caso da implementação da Banca Única. "O sistema foi instalado da noite para o dia, modificando a relação da Justiça com o advogado e seus clientes, sem que fôssemos consultados. A Banca Única traz sérios problemas para a advocacia e, por conseqüência, para a população", pondera ele.


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